A MoreTextile, empresa do Guimarães Marca, declara “guerra” às embalagens de plástico

A preocupação ambiental já chegou aos têxteis-lar e a MoreTextile, empresa presente no projeto Guimarães Marca, já embala os seus produtos em sacos feitos dos próprios tecidos e com o mesmo padrão. E há mais empresas a seguir este caminho em nome da sustentabilidade.

Artur Soutinho, presidente executivo da MoreTextile, um grupo que fechou 2018 com mil trabalhadores e um volume de negócios de 78 milhões de euros, salienta: “Temos uma solução apelativa, que pode tornar um jogo de lençóis numa prenda engraçada e temos, também, uma forma de valorizar o produto e declarar guerra ao plástico. Na prática, com esta reinvenção da embalagem, os clientes, cada vez mais sensitivos, podem tocar e sentir facilmente o material que vão comprar”.

Para esta mudança de hábitos na embalagem pesou a decisão da Zara Home, o maior cliente do grupo, acabar com os sacos de plástico. E a resposta foi criativa, com sacos simples e outros que até podem ser mochilas ou apresentam o conjunto de lençóis com o formato de um rebuçado gigante, como a empresa mostrou recentemente na Heimtextil, a maior feira do sector, na Alemanha.

“Começamos este trabalho com um cliente, mas a ideia é seguir o mesmo modelo com a maioria, o que significa substituir o plástico por sacos feitos no próprio tecido do jogo de lençóis, prontos a serem oferecidos como uma prenda”, acrescenta Artur Soutinho.

A MoreTextile apresenta as etiquetas UpCycled, garantia de que 90% das fibras foram recicladas a partir de desperdícios, Eco Heather, dedicada a produtos 100% sustentáveis, com reaproveitamento das fibras, e uma palete de cores limitada aos tons da matéria-prima, sem químicos no tingimento, e EcoDye, com um tingimento que reduz consumos de água, químicos e energia.

“Já estávamos a trabalhar nesta área, mas nos últimos dois anos o tema da sustentabilidade começou a ganhar força. Há um interesse novo e sério por soluções sustentáveis. Os novos compradores valorizam estes fatores nas suas escolhas e esta é uma forma de diferenciação”, sustenta.

Entre os maiores desafios da atual conjuntura, o gestor aponta a concorrência da Turquia, “a regressar em força, puxada pela desvalorização da sua moeda”. Também está atento ao Reino Unido, onde viu recentemente dois clientes faliram e admite que o Brexit está a afetar as vendas. E não esquece fatores de competitividade internos como o preço da energia porque registou um aumento de 12% na fatura e isso significa mais 800 mil euros por ano do lado dos custos.