15 Março, 2018

O que ver – Arquitetura


SÉCULOS DE REGISTOS VIVOS, VISITÁVEIS E HABITADOS

Percorrendo as ruas de Guimarães, observa-se uma cidade excecionalmente bem preservada, refletindo a evolução de alguns edifícios particulares desde os tempos medievais até ao presente, com particular incidência entre os séculos XV e XIX.

A matriz urbana oferece-se como uma montra com exemplos de estilos e épocas. A Casa António Rocha (Delfim Amorim e Oliveira Martins, 1947), junto ao Largo do Carmo, por ser a primeira casa de desenho moderno construída no centro histórico de Guimarães, denotando a influência de Le Corbusier. Por seu lado, o Edifício Muralha (António Gradim, 1985), hoje sede da Polícia Municipal, no Largo da Condessa do Juncal, é considerado uma exceção à regra do ordenamento camarário, uma vez que foi autorizada ao arquiteto uma intervenção moderna no lote duplo atravessado pelas pedras medievais. Assim, manteve-se a fachada original, do lado da Alameda, tendo sido aberta uma fachada envidraçada na outra face. Outros exemplos de arquitetura na cidade: o Hotel Fundador (Sergio Fernandez e Pedro Ramalho, 1969-77), o Edifício Salgueiral (Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, 1998-2003), a intervenção no Estádio D. Afonso Henriques para o Euro 2004 (Eduardo Guimarães, 2001-03).

Uma outra referência merecedora de destaque – e de visita – é o Centro Cultural Vila Flor, em pleno coração histórico de Guimarães e que é, hoje, um espaço de referência no panorama cultural nacional. Inaugurado no dia 17 de setembro de 2005, Instalado no Palácio Vila Flor, edifício do século XVIII, prima pela conjugação da história da quinta, dos seus magníficos jardins e admirável arquitetura que se desdobra entre memórias ancestrais e os traços da modernidade. O edifício, projetado de raiz para a apresentação de espetáculos de índole cultural, foi também concebido de forma a otimizar todos os recursos e a criar estruturas da mais alta qualidade capazes de permitir a sua múltipla utilização enquanto espaço aberto à realização dos mais diversos eventos.

O plano de intervenção urbana integrado em Guimarães 2012 beneficiou a cidade com a reabilitação de espaços em desuso e com a criação e novos edifícios. Dois dos espaços que mais ganharam e que foram totalmente transformados foram o Largo do Toural e a zona de Couros, onde se situa agora o Instituto do Design, em antigas fábricas de curtumes. A renovação do Toural, que custou cerca de sete milhões de euros, foi uma das mais significativas intervenções da Capital Europeia da Cultura. A zona do antigo mercado municipal recebeu igualmente a atenção do plano de intervenção urbana, tendo sido convertida na Plataforma das Artes e da Criatividade, espaço de exposições, espetáculos e incubadora de empresas em pleno coração da cidade. Obra contemporânea de referência, mereceu distinção na área de design com a atribuição do prémio internacional “Red Dot”.