Tearfil criou um fio 100% biodegradável para o combate à contaminação plástica nos oceanos

A Tearfil, em resposta a um desafio lançado pela Triwool, desenvolveu um fio 100% biodegradável, obtido a partir do caule de milho, para combater a contaminação por plástico nos oceanos.

A especialista em fiação integrada no Grupo More Textile, membro do Guimarães Marca, tem vindo a lutar por uma inovação sustentável e a apresentar projetos na área da sustentabilidade da fiação: O Infini é o mais recente, onde se incluem também o MoreColorGreen, o Eco Heather e o Rainbow.

«Trata-se de um projeto de inovação disruptiva pensado e liderado pela Triwool», explicou Marla Gonçalves, diretora da Tearfil.

O projeto contou com o contributo de estudantes do Porto Design Factory [Instituto Politécnico do Porto], do Kyoto Design Lab e do Kyoto Institute of Technology, tendo sido apresentada a prova de conceito na Stanford/Sugar Design EXPE, na Universidade de Stanford.

«O projeto pretende resolver a problemática da contaminação por plásticos dos oceanos. Existem já inúmeros projetos que trabalham reactivamente, ou seja, que querem recolher os plásticos dos oceanos, reciclá-los, e produzir fios e produtos novos a partir do desperdício que já existe. Este projeto é diferente, é efetivamente trabalhar proactivamente, isto é, trabalhar para evitar que esse desperdício aconteça», acrescentou a diretora.

A Tearfil desenvolveu um fio a partir de um biopolímero – obtido do caule do milho –, que é depois combinado com outras fibras biodegradáveis, como lã orgânica, cânhamo, linho, algodão orgânico e Refibra (liocel) da Lenzing. «Apesar de ser uma matéria-prima sintética, basicamente um plástico, é 100% biodegradável em compostagem», sublinhou Marla Gonçalves.

As diversas combinações resultaram numa gama de 10 fios, cujos protótipos foram estudados para permitir a produção à escala industrial. «Já temos os acabamentos estudados, agora é uma questão de limitação também da fibra, porque só pode ser tingida até 110 graus. Ainda não conseguimos ultrapassar a questão da termofixação e misturas com elastano, mas já estudámos as cores escuras, que era uma limitação, e já temos efeitos mesclados», indicou a diretora. «Foi um ano inteiro de dedicação dos alunos da faculdade que desenvolveram isto», realçou.

 

A sustentabilidade na fiação

A Tearfil conta no currículo com o desenvolvimento dos fios MoreColorGreen – um fio com fibras reutilizadas da fiação, misturadas com 30% de poliéster reciclado –, o Eco Heather – um fio obtido a partir do desperdício da fiação fiado com cerca de 10% de algodão virgem para uma maior resistência – e os fios Rainbow – fios mélange rastreáveis desde a origem e com certificação GOTS.

Esta aposta arrojada na sustentabilidade valeu à empresa a presença na área Smart Creation na mais recente edição da Première Vision Paris. «A organização da Première Vision selecionou-nos e estivemos lá com as nossas inovações eco-responsáveis: o nosso artigo Infini, com este conceito da redução da poluição por plásticos, o artigo Eco Heather e o MoreColorGreen, que promovem também a circularidade. São os produtos que fazemos com a reciclagem e a reutilização das fibras que são desperdício do processo produtivo na fiação», referiu Marla Gonçalves.

O Infini foi um dos artigos mais bem-sucedidos no salão parisiense que decorreu em meados de setembro. «Grande parte das visitas que recebemos foi à procura do projeto Infini e das soluções que desenvolvemos em produto acabado», adiantou Marla Gonçalves, que desvendou o ambiente que se sente na equipa «estamos todos empolgados com este projeto».