Vital Tecidos, 111 anos de uma história com olhos postos no futuro

Há empresas que se definem pela sua história. História marcada pela capacidade de superação e adaptação. História definida pela resiliência, empreendedorismo e visão de mercado dos seus intervenientes. As marcas não ficam gravadas no tempo por mero acaso, e aquelas que contam algumas décadas na sua existência, não o fazem porque tiveram sorte ou por acaso do destino, contam com essas décadas devido a quem se manteve fiel aos seus propósitos e missão.

 

A Vital tecidos é um desses exemplos de empresas que marcam pela sua história. São 111 anos de um nome que é uma referência no setor têxtil da região e do país, uma responsabilidade que o António Faria, Engenheiro Têxtil de formação, com especialização em tinturaria e acabamento, “carrega” com orgulho e sentido de dever, reconhecendo que o nome da família se confunde com o da empresa e que ambos existem em simbiose um com o outro.

António Faria (ao centro), com os dois filhos, Pedro e Filipe Faria. São já 4 as gerações da mesma família a trabalharem na empresa.

O Guimarães Marca esteve à conversa com António Faria e com os seus dois filhos, Filipe e Pedro Faria que assumem, ao lado do pai essa responsabilidade de levar a empresa por mais umas décadas, que se adivinham desafiantes.

Ficou evidente desde o início da nossa “amena cavaqueira” que a Vital é realmente parte do ADN da família, numa história de vida que, hoje, junta a terceira e quarta gerações, e que começou pelas mãos da bisavó dos filhos de António Faria, passando por algumas mudanças ao longo da história, culminando nos dias de hoje, com a aposta da empresa centrada na produção de tecido destinado ao fabrico de colchões gama alta e no Têxtil-lar, onde apresentam variados tipos de produtos têxteis, como felpos, lençóis, colchas, cobertores, tapetes e atoalhados de mesa, o que permite à empresa uma maior abertura para responder às diferentes exigências do mercado, apostando sempre na inovação.

“Sabe, não somos uma empresa grande em nada! Somos uma empresa pequena em tudo!”

“Sabe, não somos uma empresa grande em nada! Somos uma empresa pequena em tudo!”, sublinhou o António Faria, “Esta é a nossa grande vantagem! Somos pequenos porque temos diversos equipamentos destinados a diferentes produtos, isso permite-nos responder a pequenos nichos de mercado, que as grandes empresas não têm interesse em servir”, uma estratégia que tem dado frutos à Vital Tecidos, garantindo que as crises sucessivas que o mercado tem enfrentado, são ultrapassadas, num modelo de gestão que se foca naquilo que o mercado necessita no imediato, conseguindo dar resposta tanto às empresas de grande dimensão como àquelas que não encontram feedback nas empresas maiores.

Não há conversa, hoje em dia, que não nos leve para as questões dos novos desafios que o mercado está a enfrentar. Estão na ordem do dia e em “cima da mesa” das prioridades de qualquer empresário e no caso da Vital Tecidos, não é diferente. Tanto o António Faria como os dois filhos, não esconderam a preocupação com o atual panorama económico, admitindo que esta é uma altura para se agir com cautela, porque mesmo sendo um ano em que se está a faturar bem, o ganho final não se reflete nesse crescimento devido aos custos de produção. “Creio que a solução para o nosso problema em Portugal, poderia passar pelo comportamento que o governo francês adotou, fixando o preço das energias no referencial de setembro do ano passado e assumindo o diferencial junto das empresas fornecedoras, desta forma o impacto para as empresas é menor”, assumiu António Faria quando questionado acerca da solução que o governo nacional poderia adotar para ajudar os empresários a enfrentarem a atual crise energética.

“Conseguimos em 24 horas dar resposta a um pedido, isso é o nosso maior trunfo em relação à concorrência”

A Vital Home é uma das empresas da Vital e dedica-se ao têxtil lar.

A Vital Tecidos é maioritariamente exportadora, com cerca de 70% da sua produção destinada a clientes internacionais, sendo que, efetivamente houve uma redução de encomendas no que diz respeito ao mercado do tecido para colchão, no entanto a Vital Tecidos tem uma grande vantagem em relação à concorrência, que reside no facto de, graças à sua forma de gerir a produção, conseguir dar respostas muito rápidas a um mercado que não quer fazer stocks, “na Vital Tecidos conseguimos em 24 horas dar resposta a um pedido, isso é o nosso maior trunfo em relação à concorrência”, referiu o António Faria, com o filho Filipe Faria, a sublinhar isso mesmo “como ninguém quer fazer stocks com receio de não conseguir vender, quando fazem um pedido, fazem-no sempre com carácter de urgência, aqui conseguimos dar uma resposta imediata porque possuímos os equipamentos necessários, o que não acontece em muitas das empresas nossas concorrentes”.

No entanto, as crises não são, para o administrador da Vital Tecidos, um motivo para não se continuar a investir, “não nos podem acusar de estarmos parados!”, sublinhou, “temos de continuar a seguir o plano que tínhamos projetado, se estamos a fazer bem ou mal, não sei. A verdade é que neste momento ninguém sabe. A guerra continua, não sabemos até quando, e por isso, não podemos ficar parados à espera de ver o que vai acontecer. Temos de agir.”, reiterou o administrador. É, precisamente, esta filosofia de negócio que tem vindo a garantir que a Vital Tecidos supera as constantes crises que o setor tem vindo a atravessar “temos sempre apostado no investimento, nomeadamente no que toca à rentabilidade energética. Já em 2019 instalámos painéis solares e este ano vamos reforçar com mais alguns. Este investimento tem-nos ajudado a fazer frente aos atuais custos com a energia, resta-nos focar na redução dos custos advindos da utilização do gás natural na nossa produção”, referiu António Faria. A par destes investimentos, a Vital Tecidos fez, igualmente, uma candidatura, em conjunto com mais duas empresas, no âmbito da Componente 11 – Descarbonização da Indústria, integrada na Dimensão Transição Climática do PRR, com vista ao reaproveitamento de todos os desperdícios têxteis gerados pelas empresas, redirecionando para a produção de novo fio, seguindo a filosofia da economia circular.

A Vital Tecidos possui duas unidades de produção. A Sede – Unidade Fabril 1 (na foto) em Mascotelos e a Unidade Fabril 2 em Guardizela.

A aposta na Investigação e Desenvolvimento e na participação de projetos que, além de agregarem valor à marca, sejam inovadores, está no ADN da empresa e, por isso mesmo, nos últimos anos têm estado ligados a diversos projetos de inovação, em conjunto com a Universidade do Minho, como o VMR – Sense Bed, uma ideia que surgiu do desejo de desenvolver algo inovador tendo em vista um mercado e meio social cada vez mais envelhecido. O VMR – Sense Bed, é um projeto que resultou numa gama de quatro produtos (tecido para aplicar em colchões) pensados para melhorar o conforto e melhorar a saúde de pessoas com mobilidade reduzida, doenças crónicas ou terminais e consiste numa superfície biomimética de prevenção de escaras que melhora a distribuição do peso da pessoa no colchão, um sistema flexível de aquecimento para controlo térmico, um sistema de monitorização de intensidade de pressão para prevenir o aparecimento de escaras e o quarto produto que basicamente agrega os três. Este é um projeto que se encontra já pronto para a fase de produção, algo que deverá acontecer num futuro próximo.

Neste momento a Vital Tecidos conta com duas unidades de produção e cerca de 120 colaboradores, exportando para mais de duas dezenas de países, da Europa, Asia, América do Norte e América do Sul. É membro da comunidade Guimarães Marca desde 2019.