Coton Couleur prepara marca própria

Assente na exportação, a empresa vimaranense especializada em roupa de cama prevê lançar a marca própria no Reino Unido e antecipa um crescimento para este ano, após atingir cerca de 22,5 milhões de euros de faturação em 2025.

Assente no posicionamento 100% Made in Portugal, a marca própria da Coton Couleur vai ser lançada em setembro, apenas no mercado britânico, assinalando a entrada da empresa com uma insígnia própria após 14 anos dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e produção de têxteis-lar em regime de private label.

«Vai ser focada em roupa de cama. Naturalmente que vai ter uma vertente, numa primeira fase, também de atoalhados, mas vai ser uma coisa muito pequena. O bebé está a nascer e eu quero testar, quero perceber se efetivamente isto poderá funcionar ou não. O investimento é relativamente pequeno, portanto não será com certeza um investimento de risco», esclarece Carlos Carvalho, CEO da Coton Coleur, ao Portugal Têxtil.

Especializada em roupa de cama, a empresa de Guimarães mantém este segmento como principal atividade, recorrendo a uma rede de parceiros industriais no Norte do país para assegurar todas as etapas produtivas, desde o tingimento e da estamparia até à confeção e embalagem. Apenas os tecidos em cru são adquiridos fora de Portugal.

Com uma faturação de 22,5 milhões de euros e crescimento de 5% em 2025, a Coton Couleur não tem como prioridade aumentar significativamente a faturação, mas diversificar os mercados externos, que absorvem a totalidade da produção. «O nosso objetivo nem é crescer muito, é mais manter o volume», admite Carlos Carvalho.

Certificações e feiras sustentam estratégia de exportação

A Europa representa 80% das exportações, com Espanha, França, Reino Unido e Escandinávia como principais destinos. A Coton Couleur também já opera na Austrália e na Coreia do Sul e está a reforçar a aposta na Alemanha, Suíça e Áustria, enquanto identifica o Canadá e o Japão como mercados prioritários para os próximos dois anos.

Com 30 trabalhadores, a empresa vimaranense trabalha exclusivamente com fibras naturais, como o algodão, linho e cânhamo, e detém certificações como GOTS, European Flax, BCI e Sedex. «Estamos agora a pensar na Regenagri, que também tem algum interesse, porque basicamente é muito parecida com o GOTS, mas o algodão não tem de ser obrigatoriamente GOTS. Dá um cuidado muito especial no cultivo e depois toda a cadeia de fornecimento é rastreada e certificada. No fundo é um bocadinho como o GOTS, mas não é orgânico. Os clientes procuram por isso e nós somos obrigados a seguir», revela Carlos Carvalho.

Na frente das feiras internacionais, a edição deste ano da Heimtextil correu «muito melhor que a do ano passado», com inscrição já confirmada para 2027. Sobre a Guimarães Home Fashion Week, Carlos Carvalho considera que o evento continua a ser importante para a indústria portuguesa, mas entende que deve elevar os critérios de seleção dos compradores convidados. «Temos de conseguir trazer cá clientes com outro volume, com outra capacidade de compra», esclarece. Ainda assim, reconhece o potencial do certame, recordando que um dos contactos estabelecidos em edições anteriores «tem comprado mais de um milhão de euros».

Para o conjunto de 2026, a Coton Couleur prevê voltar a crescer, depois de os primeiros meses do ano terem registado um desempenho superior ao período homólogo do ano passado.

[artigo e foto extraídos de portugaltextil.com]